Não creio ser possível falar o dia que primeiro ouvi essa frase: "O Brasil é o país do futuro." Até Renato Russo colocou isso em uma música. Mas o mais insistente e intrigante fato é que repetimos isso corriqueiramente, ou seja, deixamos o futuro para amanhã.
Pouco se pensa a longo prazo e menos ainda se pensa na próxima geração. É como se ser brasileiro é não ter filhos estando em fase terminal de uma enfermidade de cura nunca descoberta. Não pensamos no acesso universal à saúde, educação e ao esporte: queremos cuidar de nossas coisas antes de morrermos.
Gostamos do agora. Queremos mais renda aos empresários, mais crescimento no campo. Balança comercial favorável e dólar a um patamar bom para as exportações.
Não lutamos por educação pública que nos dê orgulho, pela qualidade na saúde pública, por diversificar e popularizar o esporte no país. Queremos ser primeiro mundo, mas não damos acesso às boas escolas a quem mais precisa, não reclamamos que pagamos uma dinheirama na CPMF que deveria ir à saúde e nunca chega, e não quebramos o tabu que futebol é o único esporte que vale a pena, não valorizando tantas outras modalidades que são excelentes e nunca recebem atenção.
Um país deve ser fundado nesses três pilares, para redução da criminalidade e futuro promissor. O resto é conseqüência direta.
Infelizmente, somos imediatistas, "mas, enfim, quem não é?"
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